Mobilidade Urbana em tempo de Pandemia

O que tem que ficar claro é que o funcionamento do transporte público não deve ser entendido como um sinal oposto à recomendação de isolamento social, e nem como um incentivo para que pessoas saiam de suas casas. O serviço a ser ofertado deve atender as recomendações de infectologistas e especialistas para garantir a saúde de todos e para tal o serviço pode ser flexibilizado, mas ele tem que funcionar.

O planejamento do transporte deve se adaptar às necessidades das cidades e, em casos específicos, se faz necessário que tenham condições especiais de limpeza e proteção de motoristas, cobradores e demais funcionários de garagem , bem como a higienização de pontos de parada, terminais e no próprio equipamento rodante. Outra coisa muito importante a ser levado em consideração é o número de passageiros a serem transportados: os sistemas urbanos de transporte coletivo tendem a ser dimensionados para uma taxa de ocupação de 6,0 pas/m², enquanto alguns países desenvolvidos, praticam taxas de 4,0 pas/m² ou ainda menores. Na prática, nossos ônibus disputam espaço com os carros no congestionamento e não conseguem manter o quadro horário definido pelo órgão gestor competente, com isso a ocupação chega a ultrapassar 8,0 pas /m². Antes de alterar a oferta de transporte, é necessário entender a demanda do dia a dia, sob o risco de ocorrerem tumultos em locais de embarque e desembarque ou dentro dos veículos. Mas, há meios de fazermos certos controles como, por exemplo, as empresas trabalharem com frotas reservas de prontidão para atender demandas inesperadas e evitar superlotação.

Um aspecto que sobressai na gestão desta crise é a dificuldade de coordenação nas áreas metropolitanas. Apesar da conurbação ter levado ao desaparecimento das fronteiras entre as cidades, ainda não contamos com autoridades que possam gerir o transporte tal como ele funciona: em escala metropolitana. Observa-se no mesmo território diferentes autoridades reagindo cada uma ao seu modo.

Hoje, a prioridade é conter o vírus e salvar as pessoas. Quando vencermos esta batalha, permanecerá a necessidade de que nossas cidades se tornem mais resilientes, equitativas e de baixo carbono. Pode ser que ao experimentar um ar mais limpo, a viabilidade do home office, a redução de mortes no trânsito e reconhecer a capacidade de mudarmos tanto em tão pouco tempo, despertaremos para ações coletivas capazes de transformar as cidades para melhor.

Lúcia Maria Mendonça Santos, engenheira civil com atuação na área de Mobilidade Urbana

E-mail: mendoncalucia@hotmail.com

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