É revoltante que, num momento grave como o que vivemos, nossa população ainda precise suportar a proliferação de acusações de desvios e crises políticas constantes. Em primeiro lugar é importante destacar que qualquer irregularidade deve ser investigada e punida exemplarmente. Também é lamentável que vejamos lideranças políticas buscando se aproveitar de cada uma dessas crises, agravando a situação e atrasando o atendimento necessário da população.

Nesta semana, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou por unanimidade “crime de responsabilidade” do Governador e da Vice”, por conceder aumento não previsto em Lei. Junto disso, desdobram-se as investigações relacionadas ao caso das compras de respiradores. A reboque, uma série de grupos políticos busca, ao invés dos encaminhamentos investigatórios e jurídicos, aproveitar-se da situação para alavancar benefícios eleitorais.

Estamos no meio de uma pandemia que nos exige uma postura de responsabilidade e de maturidade. São vidas que estão em jogo, na área da saúde, assim como na própria economia, onde famílias inteiras de trabalhadores, trabalhadoras, empresárias(os) e pequenos(as) comerciantes, sofrem para sobreviver e convivem com o medo em relação à ameaça que representa o coronavírus.

Para agravar a situação, vivemos uma das piores secas dos últimos 30 anos, com agricultores e agricultoras em completo desespero em todas regiões do Estado. Fiz contato com famílias da agricultura, lideranças de cooperativas das mais diversas áreas, nas regiões Oeste e Extremo Oeste, e o que ouvi foi um quadro alarmante, que exige medidas de emergência, neste momento.

Precisamos garantir soluções para as dívidas destas famílias da agricultura, além de ações de apoio para garantir a próxima safra. São estas pessoas que alimentam 80% de Santa Catarina. Não é só um problema social e econômico, é um problema grave para a vida da população.

No caso de mais esta estiagem, mais uma vez apelamos para que sejam ouvidas nossas proposições que buscam reduzir os problemas com secas a médio e longo prazo, porque não é possível submeter nossas famílias da roça a isso todos os anos.

Ou agimos com responsabilidade e maturidade neste momento, ou arriscamos agravar problemas que comprometem severamente a vida de toda população. Dessa forma, vamos continuar fazendo de conta que nada existe e acabar legitimando ações desastrosas, que atacam a vida em todas as suas dimensões, inclusive a natureza, que nos garante condições para a produção de alimentos e a água, item essencial em qualquer sociedade.

Padre Pedro Baldissera
Deputado Estadual Licenciado