Com mais de meio milhão de infectados, país é quarto do mundo em mortes

OMS afirma que não é possível prever quando será o pico da doença na América do Sul. Conselho Nacional de Saúde revela que o Ministério da Saúde repassou apenas 30% da verba da pasta destinada a ações de combate à pandemia em estados e municípios. “O ministério está brincando com a vida das pessoas”, denuncia André Luiz de Oliveira, do CNS. Consultoria  americana Kearney prevê 85 mil mortes até fim de julho

Quarto do mundo em números de mortes por Covid-19, o Brasil praticamente bateu a marca de 30 mil óbitos nesta segunda-feira (1º). Com 526.447 casos confirmados, o país agora está atrás apenas dos EUA, Reino Unido e Itália em número de perdas de vidas: são 29.937 óbitos, dos quais 623 nas últimas 24 horas. Foram registrados mais 12.247 casos diários. Além do vertiginoso aumento de casos e mortes em São Paulo e no Rio de Janeiro, a pandemia se alastra pelo Norte e Nordeste. Das 20 cidades com maior mortalidade no Brasil, 16 estão na Região Norte. A taxa de ocupação de leitos também é preocupante, com várias cidades nas duas regiões com mais de 70% dos leitos ocupados.

Nesta segunda-feira (1º), o diretor de Programas de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, voltou a alertar sobre o avanço da pandemia na América do Sul, cujo epicentro da doença é o Brasil. “Claramente a situação em alguns países sul-americanos está longe da estabilidade. houve um crescimento rápido dos casos e os sistemas de saúde estão sob pressão”, advertiu Ryan, lembrando que no momento não é possível  prever quando chegará o pico do contágio.

“Houve respostas diferentes entre os países e há bons exemplos de governos que adotaram abordagens científicas, enquanto em outros países vem uma ausência ou fraques nisso,  observou o diretor. Ryan explicou que a densidade populacional e a pobreza são condições que dificultam o combate à doença na Região. “Mas o que nós precisamos, sim, fazer é mostrar solidariedade aos países da América Central e do Sul. Precisamos ficar com eles, fornecer o apoio que pudermos para ajudá-los a superar esse vírus, como fizemos coletivamente para países em outras regiões. Esse é o momento de ficarmos juntos e não deixar ninguém para trás”, disse.

Analisando dados do próprio Ministério da Saúde, é possível concluir que a negligência do governo federal permitiu uma explosão de infecções no país em apenas dois meses. No dia 27 de março, 5,3% dos municípios tinham notificações confirmadas. um mês depois, em 25 de abril, a taxa saltou para 30,9%. Na semana passada, no dia 25 de maio, o índice já estava 67,7%. No país, 3.771 cidades já contabilizam casos de Covid-19. O maior percentual de cidades com infecções é o Norte, com 83,8%. Em seguida vem o Nordeste, com 79,9%, o Sudeste, 63,4%, o Sul 56% e o Centro-Oeste, na casa dos 50,%.

85 mil mortes em julho

Estimativas da empresa de consultoria americana Kearney indicam que o Brasil pode ter mais de  85 mil mortes até o fim de julho, isso em um cenário otimista, segundo a ‘CNN Brasil.’ Em um cenário intermediário, de acordo com a ‘CNN’, o país pode ter 147 mil óbitos e mais de  163 mil perdas de vidas no quadro mais pessimista. A consultoria prevê que até o final do mês de julho, o Brasil terá entre 1,2 milhão e 2,7 milhões de infectados.

Se o país continuar deixando a pandemia avançar, pode terminar o ano com cerca de 20,8 milhões de casos em um cenário pessimista e 1,8 milhão em quadro mais otimista. Os dados foram elaborados com base nas atuais taxas de reprodução do vírus no país, mas podem sofrer alterações dependendo das mudanças na condução do combate à pandemia.

Considerando os possíveis cenários de evolução da doença, a consultoria indica que faltarão 5,4 mil leitos de UTI no país até o fim de junho, dentro de um quadro otimista. No cenário mais pessimista, o Brasil terá um déficit de 22 mil leitos de UTI a menos. As regiões mais críticas são o Norte e o Nordeste.

Ministério não repassa verbas

Como se não bastasse a omissão governo federal na condução do país em meio à pandemia, a falta de comando no Ministério da Saúde agrava ainda  mais s crise. Segundo informações do Conselho Nacional de Saúde (CNS), o ministério repassou apenas 30% das verbas para ações de combate à pandemia a estados e municípios. Segundo o conselho, do total de R$ 39,734 bilhões destinados à emergência em saúde publica, apenas R$ 10,468 bilhões foram empenhados.

Segundo o coordenador da Comissão Intersetorial de Orçamento e Financiamento (Cofin) e membro da Mesa Diretora do conselho, André Luiz de Oliveira, “o Ministério da Saúde está muito lento, moroso no repasse do dinheiro. Está brincando com a  vida das pessoas”. Oliveira afirma o repassse não depende de licitação, apenas de pactuação na Comissão Intergestora Tripartite (CIT), que integra gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) nas esferas estadual, municipal e federal.

Os dados constam da Plataforma Siga Brasil. De acordo com o conselho, o dinheiro servirá para a compra de EPIs, respiradores, leitos, entre outros materiais e equipamentos. O documento também aponta que o orçamento global para as ações do SUS está irregular. O CNS se uniu a outros conselhos e entidades de controle social para publicar o manifesto Repassa Já e exigir do Ministério da Saúde o repasse imediato dos recursos destinados ao enfrentamento da pandemia.

O pior ainda está por vir

O Brasil ainda não atingiu o pico da crise sanitária, é o que aponta uma pesquisa conduzida pela Associação Paulista de Medicina (AMP). Segundo o levantamento da associação, realizado entre 15 e 25 de maio, 84,5% dos médicos em atuação no país consideram que o pior ainda está por vir. Para concluir  a pesquisa, AMP ouviu 2.808 profissionais em todo o território nacional. De acordo com o estudo, 96,6% avaliam que a pandemia irá desfalcar o atendimento na linha de frente, deixando hospitais sem médicos.

E o mais preocupante: 64% dos médicos que atuam no front da epidemia não foram testados, refletindo a realidade do resto do país. E apenas 22,3% dos médicos – um em cada cinco – se considera plenamente capacitado para atender pacientes com covid-19 em qualquer fase da doença, de casos leves a graves e sob tratamento intensivo.

Trabalhando sob crescente tensão 79,3%  se dizem apreensivos, pessimistas, deprimidos, insatisfeitos e revoltados, um sinal de alerta para as equipes de saúde mental dos hospitais da rede pública e privada.  Ainda de acordo com o levantamento, entre os profissionais da linha de frente do combate à pandemia, 33,7% relataram casos de pacientes que vieram a falecer com suspeita e/ou confirmação da doença. Cerca de 7,3% já viram morrer entre seis até mais de 20 pessoas.

Da Redação, com informações  da CNN, AMP e CNS

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