Luciane diz que um século depois de Antonieta de Barros, suas lutas ainda não foram alcançadas

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT/SC) homenageou, na sessão desta quarta-feira (08) na Assembleia Legislativa (Alesc), Antonieta de Barros, a catarinense que foi a primeira mulher eleita em Santa Catarina e a primeira negra deputada do Brasil. “Na minha trajetória tenho buscado honrá-la. Não é demais dizer que eu sou, porque ela foi antes de mim.” Luciane afirmou que, um século depois, chega a ser espantoso constatar que as três principais causas de sua luta ainda não foram alcançadas: “educação para todas e todos, valorização das vidas pretas e emancipação da mulher”.

Luciane leu um pensamento de Antonieta: “Não será a tristeza do deserto presente que nos roube as perspectivas dum futuro melhor, onde as conquistas da inteligência não se degenerem,em armas de destruição, de aniquilamento onde os homens, enfim, se reconheçam fraternalmente. Será, contudo, quando houver bastante cultura e sólida independência entre as mulheres para que se considerem indivíduos. Só então, cremos existir uma civilização melhor.” Salientou que ele cabe perfeitamente nos tempos difíceis de pandemia, ciclone, desemprego, ameaças à democracia, total desgoverno, falta de ministros nas duas principais pastas, que são a saúde e a educação, fake news se sobrepondo à ciência e casos graves de violência, principalmente contra negras e negros.

Luciane disse que a autora deveria ser reconhecida tanto quanto os grandes heróis do País e que trouxe o tema para o Plenário porque no próximo dia 11 de julho, Antonieta completa 119, mulher, negra, professora, jornalista, política. “Precisamos promovê-la, todos nós que ansiamos por equidade racial e de gênero, por liberdade de expressão e por educação como meio de mudar e melhorar as nossas realidades.”

A deputada contou que Antonieta nasceu somente 13 anos após o fim, no papel, da escravidão no Brasil. Sua mãe era escrava liberta e lavadeira, seu pai jardineiro e morreu muito cedo. A mãe teve que transformar a casa em pensão para estudante em Florianópolis e foi com essa convivência que ela aprendeu a ler e escrever. Conseguiu fazer o curso normal, até se tornar professora em uma turma com a maioria formada por moças da aristocracia. Em 1922 fundou o curso de alfabetização Antonieta de Barros, em sua própria casa.

Por mais de 20 anos, colaborou com os principais jornais de Santa Catarina e escreveu um livro “Farrapos de Ideias”, que assinou com o pseudônimo de Maria da Ilha. Também fundou um jornal e ministrou curso alfabetizante em um país onde mulheres não podiam sequer votar. “Este contexto revela ainda mais a luta e a coragem de quem fez história na política nacional e em certo momento escreveu: “A mulher tem sido, de verdade, a mais sacrificada metade do gênero humano.”

Luciane disse que é autora do Projeto de Lei que pretende incluir no currículo escolar a história das mulheres como Antonieta de Barros. É dela a emenda que garantiu que o antigo prédio da escola que leva seu nome no centro da Capital se torne um centro de memória e cultura negra de Santa Catarina.

A deputada contou, ainda, a experiência que vivenciou no Carnaval 2020, quando atravessou a passarela Nego Querido cantando o samba-enredo da Escola Consulado no qual a grande homenageada foi Antonieta de Barros. “A pele arrepiou ao entoar: ´Anda, vai juntar os farrapos, ensinar aos sem trapos, conquistar os direitos´. Não foi apenas um samba-enredo, foi um compromisso reafirmado com aquela que muito me inspira e orgulha, para renovar em nós a esperanças”, comentou.

 

Foto: Rodolfo Espínola/Ag. Alesc

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