Padre Pedro quer estender PICS a todos os municípios catarinenses

O deputado Padre Pedro Baldissera disse, no Encontro Estadual da Articulação Nacional de Educação Popular em Saúde (ANEPS), que a implementação das Práticas Complementares Integrativas (PICs) como política pública avança e que a meta é implantá-las na rede de atenção básica da saúde em todos os municípios catarinenses. O debate teve como tema:  Como as PICS, os movimentos sociais e a educação popular participam da defesa do SUS.

Padre Pedro afirmou que a Política Nacional de PICS tem 15 anos e que, apesar de todas as dificuldades, trouxe uma nova visão para a saúde pública brasileira, uma nova compreensão sobre a promoção da saúde, o cuidado com a vida e com o bem-estar das pessoas, o que foi fundamental para consolidar o trabalho. Ele disse que a humanização do SUS oportunizou tratamentos com base em terapias tradicionais, que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de doenças.

Segundo ele, o Brasil está na vanguarda entre os estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) pelos avanços alcançados na construção de políticas complementares. “Durante esses anos, num determinado momento, os gestores olharam esta área com um viés voltado para a vida, longe do conceito da mercadoria.”

Padre Pedro foi o responsável por lançar a semente e disseminar a ideia em Santa Catarina, a partir de 2008 e é o autor do projeto que tornou lei em Santa Catarina, em 2019, a adoção das PICS na rede de atenção básica. O seu primeiro programa, chamado Farmácia da Natureza Itinerante, já foi implantado em 290 dos 295 municípios catarinenses.

A iniciativa objetiva o resgate do conhecimento ancestral de uma região ou município com a implantação de hortas (ou hortos comunitários), a partir da troca de saberes sobre plantas e ervas medicinais. Sob a coordenação do pesquisador e ambientalista, Alésio dos Passos dos Santos e da farmacêutica e bioquímica Viviane Corazza, a Farmácia da Natureza promove o encontro de pessoas que socializam conhecimentos.

“Ninguém é sabedor de tudo. Levamos mudas, sementes e informações, mas também vamos aprendendo e engrandecendo nesta caminhada, sem abrir mão da preservação”, disse padre Pedro.

Num segundo momento, a manipulação das plantas e ervas medicinais garantiu um salto significativo para o trabalho que iniciou com a fitoterapia e alcançou outro patamar com a inclusão de um conjunto de 29 práticas reconhecidas pelo SUS. Várias prefeituras já implantaram seus Planos Municipais de Fitoterapia e disponibilizam hoje medicamentos fitoterápicos gratuitos para a população.

O terceiro passo foi a organização e a implantação do Observatório Catarinense das PICs, em parceria com a Udesc e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). O objetivo é mapear os municípios que já disponibilizam as terapias na rede e promover a capacitação dos profissionais que trabalham no atendimento aos pacientes. “O programa é oferecido a todo as cidades que manifestam interesse, para ampliar a oferta dos tratamentos e fomentar a pesquisa na área.”

Padre Pedro comentou que o trajeto é longo e infelizmente ainda as práticas complementares ainda não estão no centro das políticas públicas de saúde. “Temos que promover a educação voltada ao cuidado com a vida, com o bem-estar e não à doença. Eis o que temos que provocar. Para o deputado, trata-se de uma mudança no modo de vida, de se relacionar, de se comunicar, de viver no ambiente a qual pertence e a agroecologia tem que estar dentro deste contexto.

“No Brasil enfrentamos diversos desafios com a mercantilização da saúde. No atual governo há uma tendência de desqualificação e desestruturação do SUS e em contrapartida observamos o aumento significativo de gastos com a saúde privada, implementados sem estratégia e desconectados da realidade do povo e da nossa gente.”

 

 

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